Publicado em 09/10/2017 - em

NOTA EM ALUSÃO AO DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

 

A história da Saúde Mental no Brasil e no mundo é uma narrativa de lutas e conquistas envolvendo muitos personagens e suas trajetórias, diante de mobilizações, discussões e rupturas. É também uma história de jogos de poder, “da emergência dos jogos de verdade”, da legitimação de discursos, que nos convocam o tempo todo a nos posicionarmos para construir e narrar essas histórias, de sujeitos que são segregados e colocados à margem da sociedade.

Neste sentido, O Dia Mundial da Saúde Mental foi estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo comemorado desde 1992 na data de 10 de outubro. Neste aspecto, é importante destacar que para além das comemorações, podemos situar esta data para reativar a nossa memória diante de um território multifacetado que na maior parte das vezes, se apresenta como uma nação de várias línguas que organizam os próprios discursos e práticas, compondo campos de conhecimentos que disputam espaços de legitimação numa dialética entre o material e o simbólico.

No entanto, algo pode produzir uma aproximação nestes campos, ou seja, o reconhecimento do “pacto de silêncio, da mudez incondicional” ou da “retirada social” destes sujeitos diante das singularidades que apresentam. Para além da técnica, o trabalho no campo da Saúde Mental precisa gerar proposições éticas, ou seja, o norte seria os efeitos de nossas ações e a não sustentação de ideais. Precisamos levar em consideração que há uma brecha entre o preceito e a ação, já que a perspectiva do cuidado pode se mostrar como uma ética das mais variadas definições e significados inconstantes, que só podem ser medidos nos seus feitos e nas consequências cotidianas.

Portanto, reafirmamos o nosso compromisso com a Saúde Mental dos sujeitos, se organizando diante de demandas plurais a partir de diferentes mandatos: por vezes pelo alívio de algum sofrimento psíquico individual ou sociocultural, junto ao alargamento dos laços sociais, sempre nos situando na fronteira entre o singular e o que é produzido no social. Reforçamos o nosso compromisso na conexão com os horizontes teóricos, técnicos e éticos sempre atentos aos riscos da submissão à alienação do que já está instituído.

Logo, é preciso desconstruir conceitos e categorias, redefinir as modalidades dos vínculos intersubjetivos, inventar novas possibilidades semânticas e teóricas, desfazendo os limites disciplinares para tornar novas as produções no campo da Saúde Mental. Trata-se, portanto, de um novo agenciamento de pulsações da demanda social e dos afetos, para se produzirem vínculos, diante de interesses divergentes presentes nas dimensões da micro e da macropolítica junto aos territórios onde habitam os sujeitos.

(Comissão de Saúde Mental / Álcool e Outras Drogas do CRP-13)

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