Publicado em 25/05/2017 - em

Sistema Conselhos divulga carta de manifesto pró eleições diretas para Presidência da República

A conjuntura política e social brasileira aponta para o risco de enorme retrocesso na democracia e requer urgência no aprofundamento no debate a respeito das instituições e dos rumos do país.

Nos últimos anos, a sociedade percebe, atordoada, um incrível aumento da violência nas ruas e, de forma absurda, de crimes praticados pelo aparato de segurança do Estado, o qual deveria atuar na preservação da vida, na proteção dos direitos humanos fundamentais, na prevenção da violência e na promoção do exercício da cidadania e das liberdades públicas.

A violência física, muitas vezes focada em um único grupo social – justamente aquele historicamente alijado de direitos e de cidadania –, é reforçada pela violência simbólica reverberada na internet, pelas chamadas mídias digitais, mas também cada vez mais presente em conversas do dia a dia, nos ambientes familiares, de trabalho e lazer. Observamos a emergência de uma espécie de reação de intolerância crescente, em que as diferenças e o outro são sempre desqualificados.

Esses fatores desembocam na recente ruptura democrática da ordem institucional, em violenta quebra de direitos sociais, trabalhistas e em criminalização dos movimentos sociais. Vivemos retrocessos absurdos e o cenário de instabilidade política e social se agravou de forma impensável nos últimos dias.

O momento, então, exige da sociedade e da categoria de psicólogas e psicólogos posicionamento crítico em relação à conjuntura política e econômica do país. Exige pensar sobre os desdobramentos de fundação de nossa sociedade. Ela deve ser alicerçada nos princípios da solidariedade fundamentados na garantia de direitos e não na lógica de mercado e da perda de direitos, que assegurara somente os ganhos do capital.

A falta de discussão dessa pauta e a omissão do debate pela grande mídia resultam em ruptura da coesão social, aumento das desigualdades e de práticas violentas por parte do Estado em relação à população que ousa se rebelar contra os ataques antidemocráticos e a perda de direitos sociais conquistados em décadas de luta.

Dois projetos se confrontam: um que apresenta uma saída sem o povo, por meio de eleições indiretas, que pode nos levar em direção ao arbítrio e ao perigoso precipício de autoritarismo; e outro que traz uma saída visando aprofundar a democracia e a participação social, rumo à justiça social e à equidade.

Diante dessa conjuntura, os representantes dos Conselhos Regionais e Federal de Psicologia, reunidos na Assembleia de Políticas, da Administração e das Finanças do Sistema Conselhos de Psicologia (Apaf), de 20 e 21 de maio de 2017, em Brasília/DF, vem a público defender uma saída que inclua o povo brasileiro: a realização de eleições gerais diretas já.

Brasília, 21 de maio de 2017.

Sistema Conselhos de Psicologia

 

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